quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Matéria publicada sobre o Hospital Matarazzo no jornal Diário do Comércio



Olá pessoal, vou comentar sobre a matéria que saiu sobre o Hospital Matarazzo, no início deste mês, no jornal "Diário do Comércio".

Um certo dia quando estava em casa fui pega de surpresa com o telefonema do jornalista Valdir Sanches, que me disse que gostaria de fazer uma entrevista comigo, sobre o caso do Hospital Matarazzo. Ele foi muito simpático comigo! Ele também entrevistou a Sr Martha (nossa amiga e colaboradora - que morou e trabalhou no Hospital).

A matéria saiu excelente e trata bem sobre a questão do Hospital. A matéria foi publicada em uma boa hora, pois na região (Bela Vista) está rolando boatos que um grupo francês está de olho no Hospital (inclusive eles foram até tirar fotos do Hospital em um dia). Não se sabe se eles querem fazer de lá um Hotel de Luxo ou um Shopping, enfim coisas que desrespeitaria por completo as normas de tombamento do Hospital, e que seria algo que beneficiaria poucos! Felizmente é mais um dos boatos que rondam o complexo hospitalar.

Vou postar a matéria, para vocês lerem. Até Mais.



Matarazzo: a agonia de um velho hospital

Hospital fechado em 1993 está em ruínas. População quer a sua reativação.
Valdir Sanches - 7/2/2010 - 20h06

Um conjunto de construções em estilo neoclássico, com quase um século de história de curar doentes, salvar vidas e trazer paulistanos ao mundo jaz em estado terminal, a uma quadra da Avenida Paulista. O Hospital Matarazzo ocupa 27 mil metros quadrados – um quarteirão – na região que tem o metro quadrado mais caro do País. E este fato pode lhe ser fatal.

O hospital foi construído pela colônia italiana de São Paulo, para atender a sua gente. Os dois pavilhões centrais ficaram prontos em 1904. No ano seguinte, a proposta havia mudado. Os doentes de todas as origens e classes sociais eram atendidos ali, gratuitamente.

Na inauguração do hospital, em 1917, o maior doador da obra, o comendador (futuro conde) Francisco Matarazzo, encerrou seu discurso com a seguinte frase: "Para que o preço da saúde dos ricos se reverta em benefício da saúde dos pobres."

Com o correr das décadas, a situação mudou. A família Matarazzo entrou em crise. As contribuições minguaram. O hospital passou a viver uma nova realidade, a do aperto financeiro. Acabou nas mãos do Inamps, antigo órgão de previdência da União. Triste destino. Em 1993, com 89 anos de atividades, fechou as portas.

Três anos depois, em 1996, uma luz acendeu-se na escuridão. O Matarazzo foi comprado por uma entidade bilionária, a Previ, caixa de aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil. Logo se viu, no entanto, que o novo dono não queria reativar o hospital, e sim negociá-lo.

Tombamento –O projeto esbarrava em um problema. Os prédios que formam o complexo hospitalar haviam sido tombados pelo Condephaat e pelo Conpresp, o órgão estadual e o municipal de preservação do patrimônio histórico. Não podiam ser descaracterizados, muito menos demolidos.

Isso tirou toda a graça do que poderia ser uma jóia rara, 27 mil metros quadrados em localização única: o quarteirão formado pelas ruas São Carlos do Pinhal, Itapeva e Alameda Rio Claro. Para se ter uma ideia, o metro quadrado de construções comerciais, na vizinha Avenida Paulista, pode chegar a R$ 9 mil. Quanto valeria um shopping, um hotel de luxo que se construísse nesse lugar?

Sem essas possibilidades, o hospital agonizou nestes 17 anos. Não inteiramente só. Dois grupos de resistência se formaram com moradores do bairro (Cerqueira César) e ex-pacientes e funcionários do hospital. Eles têm a mesma percepção: a Previ está esperando os prédios virem abaixo, para vender a área.

Luta – A advogada Célia Marcondes é uma das que pensam assim. "O abandono do hospital parece de propósito, para deixar cair", diz. Célia e a entidade que preside, a Samorc, sociedade de amigos e moradores de Cerqueira César, são bons de briga. Em seis anos, conseguiram o fechamento de trinta boates e bares que tiravam o sossego do bairro. No caso do Hospital Matarazzo, vão à Justiça.

"Vamos acionar o poder público (Estado e Prefeitura) e a Previ", diz a advogada. O objetivo é o mesmo: que o hospital seja recuperado. "É um patrimônio histórico, do interesse das gerações futuras", completa Marcondes.

Ela considera praxe, em São Paulo, prédios históricos serem levados à ruína para dar lugar a um shopping center ou outro empreendimento. "Mas a sociedade já ficou esperta e sabe o que acontece. Agora basta. Não se aguenta mais isso", desabafa.

Célia diz que existem grupos interessados em comprar o hospital e torná-lo referência em saúde. "Esta região tem uma demanda importante." Há algum tempo, a Fundação Zerbini, ligada ao Hospital das Clínicas, tentou alugar o complexo hospitalar por vinte anos. Mas, dado o custo das obras para reativá-lo, desistiu.

Alternativas – A Samorc tem 15 diretores e uma comissão de preservação do patrimônio histórico. Vê três possibilidades para a solução do problema: a Previ transformar os prédios em um hospital para seus associados; vendê-lo para quem possa recuperá-lo e que atenda doentes particulares e públicos; a colônia italiana comprar o hospital para o seu uso, com o poder público. "Conheço hospitais na Itália que têm a mesma arquitetura. Em um deles, em Bolonha, a arquitetura está preservada, mas em seu interior há um novíssimo hospital."

No Butantã, uma moça de 25 anos, que vive das roupas e bolsas que produz, e quer ser arquiteta, comanda outro flanco em benefício do hospital. Luana dos Santos Freitas tem um bom motivo: nasceu lá. Além disso, ela e sua irmã mais velha, Aldeneide, sofriam de bronquite. "A gente não saía do hospital, até Natal passamos lá."

Há três anos, passando casualmente à porta, resolveram entrar. "Vimos aquilo caindo, e achamos que algo precisava ser feito para recuperar, enquanto havia tempo", lembra Luana. A última vez em que esteve lá foi janeiro de 2009. Depois disso, as visitas foram proibidas (inclusive para jornalistas).

Sua última visão: muita infiltração de água e encanamentos apodrecidos. No primeiro andar, onde funcionavam ambulatórios e a casa de saúde, o teto desabou. Em outro, o telhado está todo furado. Um elevador foi retirado, e ficou o poço. Em alguns lugares há buracos na parede.

Encontramos até pombos mortos. O que é visto por fora não dá ideia da deterioração que existe lá dentro", diz Luana.

Campanha – Ela começou sua campanha pelo Orkut. Pesquisou no arquivo do hospital, falou com outros ex-pacientes, foi ao Condephaat. Por fim, criou um blog, em que narra toda a história e a situação do Matarazzo (hospital-matarazzo.blogsport.com). Nele, lê-se que a capela foi construída em 1922.

Mais tarde, surgiu a Ars Médica, associação para o ensino da Medicina, com uma importante biblioteca. Em 1925, na presença de autoridades públicas, Francisco Matarazzo inaugurou a Casa de Saúde Ermelino Matarazzo. O nome era uma homenagem a seu filho, morto ainda jovem em acidente na Itália.

A maternidade surgiu em 1943, com o nome da Condessa Filomena Matarazzo, mulher de Francisco. As enfermarias foram ampliadas e novos equipamentos foram instalados. Criaram-se setores especializados. Em 1953, nasceu o Instituto de Neurologia.

Na semana passada, Luana passou pela calçada do hospital, na vertente da Alameda Rio Claro. "Chovia, e as janelas estavam abertas. De dentro, vinha um cheiro forte de mofo."

Enfermeira lembra do local com carinho

Nos dois anos em que Martha Maria Ribeiro trabalhou no Hospital Matarazzo havia uma enfermaria para mulheres no subsolo. Era a Seção dos 500, não porque tivesse 500 doentes, mas porque esse era seu número. "Era tudo bonito, limpo, funcional", lembra ela, hoje, aos 68 anos.

Pudera, a irmã Claudemira, enfermeira-chefe, trazia tudo sob "muita ordem e pulso". Os pacientes, que nada pagavam, eram tratados com desvelo. "O segredo disso era a dedicação das irmãs."

Martha morou e trabalhou no hospital enquanto fez um curso de auxiliar de enfermagem. Isso há quase 40 anos, entre 1971 e 1972. Seu turno, na enfermaria para mulheres, ia das 14h às 22h. Às vezes, faltando dez minutos para sair, surgia a irmã-chefe do setor. "Ela se informava sobre tudo, assistia à passagem do plantão."

E às sete da manhã seguinte, na passagem do novo plantão, lá estava a irmã-chefe. "Assim, ficava sabendo de tudo o que acontecia de noite e também de dia. Tinha todo o controle na mão." Depois de algum tempo, Martha passou para o Pronto-Socorro, que tinha o mesmo padrão do hospital. "Bem equipado, e muito bom."

Perto da Seção dos 500 e do Raio-X começava um túnel. Terminava próximo à entrada do necrotério. Era bem comprido, "do tamanho de um quarteirão médio e meio". Dois elevadores chegavam até ele. Por um deles desciam os corpos a caminho do necrotério.

Não dava medo passar pelo túnel? "Eu sempre passei e não vi nada de estranho." Mas nem todos achavam isso. Tinha uma médica que sozinha não ia, só acompanhada."

Terminado o curso, formada, Martha mudou para um hospital mais perto de sua casa. Há dois anos, aposentada, visitou o Hospital Matarazzo. Chegou cheia de "lembranças boas dos momentos muito bons que passamos". Saiu horrorizada. "O hospital está abandonado, num estado deplorável."

Hoje, ela tem nova atividade, ligada a ele: sai à rua a cata de assinaturas para um abaixo-assinado em que pede a sua recuperação.

Por enquanto, só planos

O Diário do Comércio informou à assessoria da Previ, por e-mail, conforme foi solicitado, sobre a posição das pessoas e movimentos sociais que tentam salvar o Hospital Matarazzo.

O DC também perguntou se há solução ou projeto para recuperação do antigo hospital. A resposta foi de que "está sendo feita manutenção mínima, para que os prédios se mantenham em condições, sem risco de desabamento." E que "continuam os estudos para viabilizar alguma solução, mas ainda nada há de certo". A assessoria da Previ também confirmou que o hospital continua fechado à visitação.

http://www.dcomercio.com.br/Materia.aspx?id=38323&canal=2









2 comentários:

carmem disse...

Estou a procura do acervo sobre os nascimentos de crianças no mes de julho de 1965.
Quem ficou com os livros de registro de nascimentos do Hospital Matarazzo ou Humberto Primo?
Busco minha mãe.

Anatole

Unknown disse...

Gostaria de saber se alguem sabe dos registros das criancas nascidas em 1970,tambem busco meus pais. EU nasci em 16/06/1970